Missão UK: o que eu trouxe na bagagem depois uma semana em Londres

Todos os anos, a educação mundial se encontra em um mesmo ponto geográfico: Londres. É lá que acontece a Bett Uk, reconhecida como o maior evento de educação e tecnologia educacional do mundo. Foi nesse contexto que participei da Missão UK, organizada por Lara Crivelaro e parceiros, que levou uma delegação brasileira para uma imersão que vai muito além dos estandes e palestras.

A proposta da Missão não se limita à visita ao evento. Durante a semana, vivenciamos uma agenda estruturada de visitas técnicas a escolas de Londres, encontros de networking e momentos de troca entre profissionais profundamente conectados ao ecossistema educacional brasileiro. O resultado é uma experiência que amplia repertório, provoca reflexões e, sobretudo, reposiciona o olhar sobre o que estamos fazendo (e podemos fazer) no Brasil.

A Bett e a dimensão global da educação

A Bett é um termômetro do setor. Reúne mais de 37.000 pessoas da comunidade educacional global, segundo fonte oficial, cerca de 14.000 tomadores de decisão. São mais de 700 expositores que abrange mais de 130 países.

Além do acesso irrestrito ao evento, a delegação contou com o Lounge Brasil, espaço que reuniu mais de 300 brasileiros ao longo da programação. Esse ponto de encontro se transformou em um ambiente para conversas qualificadas, conexões e construção de parcerias. Em um mercado cada vez mais competitivo, a articulação entre pares deixa de ser acessória e passa a ser central.

Dentro das escolas: Guildhouse e Bedford

Se a Bett amplia a visão macro, as visitas técnicas aprofundam a análise no nível micro: a escola, sua cultura e sua prática cotidiana.

Na Guildhouse School, localizada no centro de Londres, conhecemos uma escola internacional que atende alunos de diferentes nacionalidades. A proposta pedagógica é orientada para exames britânicos e para a preparação acadêmica com foco em acesso às universidades. O que se percebe é uma combinação clara entre estrutura enxuta, direcionamento acadêmico e personalização no acompanhamento do estudante.

Já a Bedford School, tradicional instituição britânica fundada no século XVI, oferece outra perspectiva. Com uma infraestrutura ampla, laboratórios, áreas esportivas e espaços dedicados às artes, a escola integra tradição e inovação. Há forte ênfase em formação integral, desenvolvimento de liderança e excelência acadêmica.

Em ambas as visitas, tivemos acesso às salas de aula, aos laboratórios e, inclusive, ao mesmo almoço servido diariamente aos alunos. Pode parecer um detalhe, mas não é. Observar a rotina real, a dinâmica dos estudantes e a organização da escola fora de um roteiro protocolar permite compreender a cultura institucional de maneira mais autêntica.

Networking como ativo estratégico

A Missão UK também foi estruturada para promover conexões. no dia da chegada, tivemos um jantar em um barco no Rio Thames, no dia seguinte um coquetel de abertura, além de jantares patrocinados por empresas de educação que criaram ambientes propícios para conversas francas sobre gestão, expansão, tecnologia mercado e os desafios do setor.

Momentos como esses aceleram aprendizados que, de outra forma, levariam meses para serem acumulados individualmente. A troca de experiências entre gestores, empreendedores, investidores e especialistas encurta caminhos.

O principal aprendizado

O ponto alto da experiência, no entanto, esteve para além da Bett ou na tradição das escolas visitadas. Esteve nas pessoas.

Conviver durante uma semana com profissionais profundamente envolvidos com a educação brasileira, debatendo problemas reais, discutindo modelos de negócio, questionando práticas pedagógicas e analisando tendências globais, amplia a responsabilidade de cada um de nós no retorno ao país.

A Missão UK evidencia que os desafios da educação não são exclusivos do Brasil. Mudam as escalas, os contextos e os níveis de investimento, mas temas como formação docente, uso efetivo de tecnologia, engajamento dos alunos e sustentabilidade financeira das instituições são universais.

Voltar de Londres não significa importar modelos prontos. Significa, antes, refinar critérios. Entender o que faz sentido para nossa realidade, o que pode ser adaptado e o que deve ser descartado. Missões internacionais não resolvem problemas estruturais, mas qualificam o debate, e debate qualificado é pré-condição para decisões melhores.

Em um mercado que movimenta bilhões e impacta milhões de estudantes, ampliar repertório não é luxo. É estratégia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *