Educação feminina e seu impacto além do óbvio

Quando pensamos em soluções contra o avanço do aquecimento global, muito se pensa sobre produtos mais sustentáveis e energias renováveis, mas pouco é discutido sobre qual o impacto que a educação pode trazer para este tema. Em 2014, surge o Projeto Drawdown a fim de mensurar o impacto em redução de CO2 das soluções existentes e eis que os três primeiros lugares figuram da seguinte forma: 1. Redução do desperdício de comida, 2. Saúde e Educação e 3. Dietas ricas em vegetais.

Ao analisarmos o relatório sobre “Saúde e Educação”, o principal  apontamento é específico sobre “educação de meninas”. É preciso lembrar que em países de baixa renda a situação das mulheres, infelizmente, ainda é precária devido a misoginia. São muitos os casos de meninas privadas à escola ou que têm seu acesso interrompido de forma precoce. Estas situações absurdas geralmente levam a famílias sem planejamento e muitas outras consequências negativas. 

Segundo as percepções do projeto, demonstra-se que mulheres com mais anos de educação: “obtêm salários mais altos e maior mobilidade ascendente, contribuindo para o crescimento econômico. Suas taxas de mortalidade materna caem, assim como as taxas de mortalidade de seus bebês. É menos provável que se casem quando crianças ou contra sua vontade. Eles têm menor incidência de HIV / AIDS e malária. Seus lotes agrícolas são mais produtivos e suas famílias mais bem nutridas.”

Mas então o que pode ser feito para resolvermos esse problema de forma prática? Ainda com base no relatório, precisamos tornar a escola acessível; Ajudar as meninas a superar as barreiras de saúde; Reduzir o tempo e a distância para chegar à escola e tornar as escolas mais favoráveis às meninas. Nesse sentido, a ONG Room to Read (“Sala de leitura” em português) criada em 99 pelo ex-executivo da Microsoft John Wood, entendeu a gravidade de que dois terços das 750 Milhões de pessoas analfabetas no mundo são mulheres, e por isso sua missão é resumida por “Literacy & Girls Education”, ou seja, letramento e educação de meninas. Segundo seu site, o letramento faz com que as pessoas sejam mais seguras, saudáveis e independentes. Em relação a suas iniciativas, a ONG conta com:

  • Engajamento das comunidades: conscientização da importância deste problema, levada a 40.700 comunidades ao redor do mundo;
  • Preparação de material didático e salas de leitura: para criar um ambiente propício ao letramento 1582 livros foram publicados;
  •  Treinamento para docentes: para aperfeiçoamento de novas habilidades e conhecimentos mais atuais, 15 mil professores são treinados por ano; 
  • Articulação com governos: através de evidências de seus resultados positivos, a ONG cria parcerias para utilizar seu conhecimento e desenvolver reformas nos currículos, treinamento de docentes e promoção da leitura. Atualmente o projeto se encontra em 15 Países, entre eles: Zâmbia, Jordânia e Bangladesh.

 Por fim, devemos lembrar que a ganhadora do prêmio Nobel da Paz em 2014, Malala Yousafzai, é um grande exemplo de ativista pelo direito à educação. A ativista paquistanesa, que teve seu acesso à escola interrompido por grupos radicais, seguiu seu sonho estudou em Oxford e hoje pode-se dizer que a educação transformou sua vida e a de inúmeras outras garotas que se viram representadas e empoderadas através dela. Ainda há um caminho árduo pela frente, e o que nos cabe é dar mais condições para termos mais Malalas no mundo.

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Paulo Nakanishi
Formado em Gestão do Comércio Internacional pela UNICAMP, foi professor de inglês na Tailândia e hoje trabalha como Analista de Dados.

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