Edtechs e Fintechs ajudam escolas a saírem do vermelho

Pandemia abalou financeiramente muitas instituições de ensino e startups que apostam em educação podem ser a luz no fim do túnel

O ensino particular no Brasil sofreu um forte impacto com a pandemia, principalmente quando pensamos em educação básica. São esses momentos de dificuldade que fazem aflorar a criatividade e dessa forma a tecnologia vem para preencher algumas lacunas. Edtechs e fintechs educacionais estão ganhando espaço e se mostram como soluções eficientes para atravessar a crise.

Trabalhei por um período na edtech Melhor Escola, do grupo Quero Educação. A Melhor Escola, que tem sede em São José dos Campos, começou em 2016 a ser a ponte entre estudantes e instituições particulares que disponibilizam bolsas e isso tornou o negócio lucrativo e sustentável, além de ser benéfico às escolas parceiras.

O modelo de negócio que deu certo na Melhor Escola consiste em uma parceria. A instituição de ensino precisa estar disposta a isentar o aluno da primeira mensalidade ou da matrícula. É este o valor que fica com a Melhor Escola. Os descontos são exclusivos para quem acessa o site, ou seja, não adianta entrar em contato direto com a instituição. Hoje há mais de 190 mil escolas parceiras em todo o país, sendo mais de 40 mil particulares, ofertando milhares de bolsas parciais

Atualmente o percentual médio dos descontos oferecidos no site é de 38%, mas as bolsas podem chegar até 70%. A média de economia anual que o programa de bolsas gera para as famílias é de 3,5 mil reais por aluno.

Uma fintech que vem se destacando é a Educbank e ela tem um modelo de negócio bem diferente da Melhor Escola. Criada no segundo semestre do ano passado, trata-se de uma plataforma financeira criada pelo empresário Danilo Costa, que banca as mensalidades não pagas e cuida da gestão da escola. Não se trata de empréstimo: essa fintech oferece capital para que a escola invista para melhorar seu projeto educacional, com formação de professores e tecnologia. Em troca, cobra uma taxa sobre o valor das mensalidades e bom desempenho acadêmico.

O foco da Educbank são boas escolas de bairro que cobram em torno de R$ 800 em todo o Brasil. Atualmente, cerca de 90% dos 40 mil colégios privados do País são pequenas instituições, com pouca capacidade de gestão. Com a previsão de aplicar R$ 20 milhões até o fim de 2021, a fintech prevê acelerar rapidamente e investir até R$ 1 bilhão nos próximos dois anos, dinheiro que virá de capital próprio e de investidores.

Crescimento

De janeiro a março de 2021 as startups brasileiras captaram mais da metade do valor recebido com investimentos de capital de risco em 2020 todo – US$1,9 bilhão no primeiro trimestre deste ano. Setores como edtech são alguns dos responsáveis por essas cifras que fazem aumentar o otimismo.

Segundo a plataforma de inovação Distrito, as startups de educação do país receberam US$222,5 milhões em investimento no primeiro trimestre, número que representa um aumento de 770% em relação ao valor arrecadado no ano passado: US$29 milhões.

Em 20 aportes nestes primeiros três meses, edtechs como Descomplica, que levantou, em fevereiro, uma rodada Série E de R$450 milhões liderada pelo SoftBank e Invus Group, ajudaram a colocar a indústria no centro das atenções das rodadas de capital de risco do país. Junto com edtech; fintech, proptech e retailtech foram os setores de melhor desempenho neste primeiro trimestre, ainda segundo o estudo da Distrito.

Escolas no vermelho

De acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de São Paulo (Sieeesp), entre 20% e 30% das escolas de ensino infantil (zero a cinco anos) fecharam as portas em 2020. Isso porque muitos pais tiraram as crianças da escola, pois a lei no Brasil exige a matrícula apenas a partir dos quatro anos. O ensino online para os pequenos também se mostrou inviável, além de ser considerado ineficiente por educadores.

Segundo estimativas, cerca de 10% dos pais não pagam as mensalidades em dia na rede particular e isso aumentou na pandemia. É hora de apostar em tecnologia para reverter a situação e olhar para startups como uma forma de sair da crise.  

Leia também: Go To Market para Edtechs no Brasil

Entre as startups que podem auxiliar na recuperação das instituições, há a Kanttum, que é focada em um outro pilar importante da educação: os professores. A startup oferece soluções para o aperfeiçoamento dos docentes, por meio do ensino reflexivo e de feedbacks construtivos. Já a Eduzz e a Hotmart são uma das principais empresas no segmento de educação no Brasil. A startup oferece uma plataforma completa para hospedagem e comercialização de cursos online e infoprodutos em geral.
Quando pensamos em segurança financeira, a Isaac é uma especialista. A empresa oferece uma plataforma completa de produtos e serviços que torna os processos administrativos e financeiros das escolas de um jeito simples, digital e seguro, garantindo a receita mensal das instituições de ensino, sem atrasos e com transparência, meios de pagamento digitais.

Bruno Pornadzik
Bruno é um jovem empreendedor, sócio da Seam Comunique-se e formado em Relações Públicas. Colaborou com o site Melhor Escola, do grupo Quero Educação, que é detentora dos maiores marketplaces educacionais do Brasil – Quero Bolsa e Melhor Escola.
Tem experiência em assessoria de imprensa B2B, análises de marketing e suporte às áreas comerciais do Inbound, Outbound, Tráfego Pago, Campanha Eleitoral, Gestor e Estrategista Digital. 
Além de sócio da Seam Comunique-se, atualmente Bruno tem papel estratégico na Eduzz, com Partners focado em agências de marketing digital e também oferece mentoria à executivos sobre negócios digitais.

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